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EDITORA DA TRIBO - Coleção das Agendas 2009

TEXTO DA SEMANA

Era um prefeito muito religioso.
A cada obra, pegava um terço.

-Wilson Gorj

Anarquismo

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          O nascimento do anarquismo, em princípios do século XIX, confunde-se com a Revolução Industrial e o surgimento da classe trabalhadora como a conhecemos. As conquistas que moldam a condição atual dos trabalhadores (como as oito horas de trabalho, a luta por melhores salários e pelo surgimento dos sindicatos) foram obra destes ativistas, que praticamente fundaram o pensamento socialista e a luta pela igualdade social através da Primeira Internacional, o primeiro grande consenso político dos trabalhadores. Desde o princípio, intitulavam-se "socialistas libertários".


          O movimento operário deu origem ao anarquismo, que rapidamente multiplicou-se em várias tendências: o anarcosindicalismo, os individualistas, grupos voltados à pedagogia libertária e à luta pela emancipação feminina, naturalistas (vegetarianos) e, mais recentemente, anarco-punks, squatters e anarco-ecologistas. Em comum, todas estas tendências defendem a ação social distante do Estado e dos partidos, propondo a organização da sociedade através da autogestão (veja mais no tópico autogestão, abaixo). Seus fundamentos mais caros são: liberdade individual de pensamento e ação, desde que não constrangendo a liberdade alheia; ausência de hierarquia, com as decisões sendo tomadas em assembléia; ação direta, ou seja, o envolvimento direto das pessoas com seus problemas, com o mínimo de delegação possível; busca do consenso nas decisões, ao invés do voto que oprime a minoria. Dedicaram-se, inclusive no Brasil, à fundação de sindicatos, jornais, bibliotecas, grupos de ação cultural (teatro, sinfônicas) e à ação educativa. Só no Brasil, no começo do século XX, os anarquistas foram responsáveis pela criação de centenas de escolas controladas pelos trabalhadores (embora não exclusivas a seus filhos), defendendo o ensino misto e não autoritário, baseado mais na experiência que na disciplinarização. Operaram inclusive três Universidades Abertas, baseadas nos mesmos princípios. Mais de 900 destes ativistas foram encarcerados em campos de concentração no norte do país, na primeira quinzena do século XX.


          Na Segunda Internacional, durante a qual surge o marxismo, o movimento operário divide-se em todo o mundo. Minoritários, os marxistas levam a cabo diversas manobras até conquistarem o controle da direção da Internacional. Delineia-se então o confronto central do princípio de nosso século: de um lado os que defendem a tomada do aparelho de Estado através de uma vanguarda, o partido (marxistas); de outro, os que defendem a gestão direta de consumidores e produtores do tecido social (anarquistas). Com a Revolução Russa e a perspectiva de um Estado Proletário, muitos anarquistas por todo o mundo converteram-se ao comunismo marxista, esperançosos de que sua luta seria bem sucedida. Outros, como ocorreu na URSS e na Espanha, enfrentaram os marxistas em armas, defendendo o controle direto dos trabalhadores sobre as fábricas e a administração pública, sem a interferência dos delegados do partido único.



          As principais experiências práticas ocorreram durante a Revolução Russa, na Espanha (durante a Guerra Civil) e na Iugoslávia, embora neste último caso sob estímulo do Estado. Nos dois primeiros casos, milhões de pessoas experimentaram, por anos, viver sem Estado ou empresários capitalistas, organizando-se para administrar a produção, saúde, educação, transportes, etc, de forma a servir unicamente aos interesses dos usuários e produtores destes serviços. Alguns dos anarquistas mais notórios foram Malatesta, Bakunine, Durruti, Proudhon; os eventos mais conhecidos envolvem o Couraçado Potemkim, a condenação de Sacco e Vanzetti, e, no Brasil, a Colônia Cecília e a greve geral de 1917, a maior do movimento operário brasileiro.


          Desde a década de 60, e particularmente após maio de 68, o anarquismo voltou à cena mundial com força. A queda do muro de Berlim e a crise do socialismo autoritário, baseado no Estado policialesco e no partido único, reacendeu por todo planeta a busca de uma ideologia que concilie a justiça social, a igualdade de oportunidades e o respeito pelas diferenças individuais e culturais dos povos.

  

          

          Na era da Internet a busca dos anarquistas por liberdade e cooperação encontrou multiplas plataformas. Grupos anarquistas estão envolvidos na disseminação de software livre e na resistência ao controle da web, na militância contra o modelo financista de globalização, nas atividades de resistência ecológica. O método anarquista – evitar a hierarquia e a obediência cegas, proliferar grupos autônomos, usar a arte e a propaganda pela ação – são o coração das novas formas de manifestação políticas de resistência, tanto ao capitalismo ocidental quanto à ditadura chinesa ou as teocracias islâmicas.


          Uma idéia, portanto um vírus. 


Bibliografia:

Sugerimos pesquisa em bibliotecas e livrarias on-line usando como chaves: anarquis, libertar, autogest.


Alguns autores:

Brasileiros: Edgar Rodrigues, Hélio Oiticica, Maurício Tragtemberg;
Clássicos: George Woodcock (coletâneas), P. J. Proudhon, M. Bakunine, E. Malatesta



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